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A vida de um estudante de Doutorado

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É incrivelmente surpreendente e até triste saber que a grande maioria dos brasileiros não têm ideia do que é ser um estudante de mestrado ou doutorado.

Primeiramente, parte dessas pessoas nos endeusam, acham que somos superdotados, a “nata” da inteligência, os nerds com QI elevadíssimos, que só estudamos, criamos fórmulas e afins. Essa é a primeira “mentira”.

Mentira porque qualquer pessoa que se empenhe um pouco e siga o edital do processo de seleção pode entrar, não é um bicho de sete cabeças, garanto. E pior, você por vezes se questionará quanto ao mérito de alguns colegas receberem o título de Mestre ou Doutor. A verdade é que como em qualquer outro lugar sempre tem gente medíocre.

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Outro equívoco é acharem que passamos o dia inteiro lendo livros e artigos ou tendo aula e não é assim que se forma um pesquisador, é com a “mão na massa”! Temos uma pesquisa a desenvolver, viagens a campo, testes, estatísticas, erros, acertos, cursos, apresentações em congressos, resultados parciais, escrita de artigos, alunos de graduação para orientar. É uma rotina bem dinâmica e exaustiva. E no final de tudo, quando você diz a alguém que faz doutorado ela retruca: “mas você só estuda?”. Essa é a hora que queremos morrer. Ou matar.

Terceiro e não menos importante: a bolsa. Para quem não sabe, ao entrarmos num mestrado ou doutorado, assinamos uma espécie de contrato de dedicação exclusiva, onde recebemos um “salário” chamado bolsa para nos dedicarmos inteiramente à pesquisa. Mas as pessoas acreditam que a gente recebe para estudar e como disse anteriormente, a gente trabalha muito! Além disso essa bolsa não é um vínculo empregatício, logo você não tem carteira assinada, férias, adicional de férias, 13º salário, contribuição do INSS tampouco aumento de acordo com o salário mínimo. São quatro anos tendo que fazer manobras com as contas recebendo o mesmo “salário”.

Somado a tudo isso vem a pressão: seu orientador quer resultados, quer publicações, você tem alunos de graduação para orientar, aulas para ministrar, o convívio com outros pesquisadores, a hierarquia, trabalha exaustivamente e vê sua vida profissional congelada durante esse período e ainda tem que passar num concurso público.

Parece que é um terror, não é mesmo? Mas a intenção não é assustar e sim trazer à realidade e dar dicas de como sobreviver a essa etapa da vida acadêmica.

Então vamos ao que interessa! Como não surtar durante o mestrado e doutorado:

  1. Entenda que esse período será de abdicação, haverá feriados em que você irá trabalhar, encontros familiares que não poderá comparecer, mas se esse é o seu sonho, valerá a pena.
  2. Escute seu orientador, ele tem uma vasta bagagem e já passou por tudo que você está passando, busque uma relação amigável com ele.
  3. Respeite seu tempo de aprendizagem, comparar-se a quem está muito à frente de você gera uma ansiedade desnecessária. Pense assim: “quando eu estiver nessa idade ou nesse patamar, também serei assim”.
  4. Estabeleça uma rotina e cronograma das suas atividades. É muito importante você respeitar e adequar essa rotina ao seu ritmo. Eu por exemplo não consigo estudar em casa, logo optei por ficar umas horas a mais no laboratório para quando chegar em casa apenas descansar.
  5. Cuide do seu sono: perder algumas noites durante esse período é inevitável, principalmente quando você tem disciplinas e rotina de laboratório concomitantes, mas que não vire hábito, uma hora seu corpo irá cobrar e mente cansada não produz.
  6. Tenha seu “momento alienador”, dei esse nome para o período que uso para espairecer com programas bem bobos após um dia cansativo, no mestrado eu costumava assistir aqueles programas de clipes musicais, hoje em dia eu adoro vídeos de humor, memes e uma espiada nas redes sociais.
  7. Cuide da sua alimentação. Tenho amigos que engordaram 10kg, 12kg durante o mestrado/doutorado. Se você passa o dia no laboratório, leve suas marmitinhas e lanchinhos, saúde é tudo!
  8. As vezes vale a pena seguir um ditado que diz “um passo para trás para dar dois à frente”. Isso quer dizer que nos seus momentos de exaustão você pode parar suas atividades, recuperar as forças e voltar com tudo.
  9. Pratique esporte ou qualquer atividade que libere suas endorfinas. Atualmente faço musculação pela manhã (para chegar animada no laboratório) e jiu-jitsu a noite (esse último funciona como terapia rsrsrs);
  10. Entenda que nem tudo vai sair como planeja, que experimentos darão errado. Respire fundo e recomece!
  11. Desabafe, chore quando precisar, acumular as frustrações e tensões não solucionarão nada. E se achar necessário, busque ajuda de profissional o quanto antes. Lamentavelmente conheço muitos amigos que hoje são reféns de medicações controladas porque acumularam sobrecargas emocionais demais e acabaram por explodir.
  12. E, sim! Dá para ter vida social, viajar, namorar, ir à festas, cinema, basta ter o-r- g-a- n-i- z-a- ç-ã-o.

Por fim, sugiro que seja positivo! Mestrado e doutorado não são fáceis mas se você faz aquilo que ama, então isso não é trabalho, saber que, em pouco tempo, poderá contribuir com os avanços da ciência no Brasil e no mundo é gratificante.
Cuide-se, priorize-se. Há uma linha tênue entre dedicação e profissionalismo e
trabalho abusivo. Saúde mental é tudo!

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